Moisés sabia que Deus renovara a ordem para ele fazer subir a este povo (12) a Canaã; também sabia que Deus o favorecera com graça pessoal. Todavia, estava confuso quanto ao modo ou com quem seria feita a viagem. Rogou uma revelação do teu caminho (13), de forma que conhecesse Deus ainda com mais clareza e nitidez e encontrasse graça aos olhos divinos. Moisés não era espiritualmente egoísta; não estava pedindo a bênção de Deus somente por prazer pessoal. Assim, acrescentou: Atenta que esta nação é o teu povo; sentia-se inadequado para conduzir o povo sem a garantia de que Deus iria com ele.
Na verdade, Moisés não queria conduzir o povo a menos que Deus estivesse com eles: Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir
daqui (15). Esta presença de Deus em sua plenitude demonstraria que
Moisés e o povo foram totalmente restaurados à graça (16), e seria a verdadeira marca de supremacia entre as nações. A única justificativa para a existência de Israel como nação era ser inteiramente do Senhor. Quando a igreja perde a plenitude do Espírito de Deus, ela deixa de ser diferente como instrumento de Deus.
As súplicas de Moisés prevaleceram. Deus afirmou: Irá a minha presença contigo para te fazer descansar (14). Que garantia esplendorosa! O espírito intranqüilo de Moisés suplicara que Deus poupasse o povo. Ele quebrara as tábuas de pedra, destruira o ídolo e dirigira a execução dos transgressores; contudo, não descansou até que lhe fosse garantido que a graça de Deus seria completamente restabelecida ao povo. Os servos de Deus não conseguem ter paz até que saibam que Ele respondeu as orações. Quando responde e a presença divina é certeza, há grande tranqüilidade.
Deus condescende em responder o clamor do homem. Declarou a Moisés: Farei também isto, que tens dito (17). Há coisas que Deus faz porque os crentes oram, caso contrário, ele não faria. A integridade pessoal do intercessor é vital; Deus acrescentou: Porquanto achaste graça aos meus olhos; e te conheço por nome. Quem suplica a Deus deve ser o primeiro a se certificar se tem uma relação certa com Deus. “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg 5.16).
Identificamos “A Presença Divina” nos versículos 1 a 17. 1) E sujeita à provocação, 1-6; 2) Honra a separação, 7-11; 3) Responde a intercessão, 12,13,15,16; 4) Concede a restauração, 14,17.
e) O pedido de Moisés para ver a glória de Deus (33.18-23). Amaioria dos crentes se satisfaz com a experiência da presença de Deus com muito menos que Moisés. Eis um homem a quem Deus dera mais que a qualquer outro, e ainda queria mais. Quanto mais perto nos aproximamos do céu, mais do céu queremos; quanto mais experimentamos de Deus, mais de Deus queremos. Moisés implorou: Rogo-te que me mostres a tua glória (18). “A glória de Deus se manifesta na mente mortal pelas evidências de sua bondade. Contudo, esta revelação a Moisés foi — de certo modo incompreensível por nós que não a vimos — uma visão direta da bondade divina não turbada pelas limitações de suas manifestações habituais através das formas terrenas.”63 “O que Moisés desejava era uma visão da glória ou do ser essencial de Deus, sem qualquer figura e sem véu.”64
Tratava-se de pedido ousado.
Deus prometeu a Moisés concessão parcial da petição. Toda a sua bondade (19) passaria por diante de Moisés. Aira de Deus arrefecera e suas ameaças foram postas de lado. Ele estava pronto para revelar sua grande misericórdia e compaixão àqueles que, embora indignos, experimentariam sua graça. A proclamação do nome do SENHOR era anúncio de compaixão, clemência, longanimidade, misericórdia e fidelidade (cf. 34.6, ARA).
O Senhor disse a Moisés que ele não podia ver a face de Deus e viver (20). Só no mundo vindouro poderemos ter totalmente a visão beatífica. Moisés tinha de se satisfazer, enquanto fosse mortal, com algo menos que desejava. Por ora, não nos é permitido alcançar e possuir tudo que nos espera no futuro. Mas naquele dia “veremos face a face” (1 Co 13.12).
Deus prenunciou a teofania (a manifestação visível de si mesmo) a Moisés, que mais tarde a veria (cf. 34.5-7). Deus prometeu colocá-lo sobre a penha (21) e sua glória passaria. Quando acontecesse isso, Deus cobriria Moisés com a mão (22) enquanto Ele passasse, mas retiraria a mão para que Moisés o visse pelas costas (23). Desta forma, Moisés veria “o reflexo do resplendor que Ele deixaria atrás de si, mas que, ao mesmo tempo, indicaria palidamente o que seria a plena magnificência da sua presença”.65 Para esta experiência, a linguagem humana seria inadequada, como se deu com Paulo quando foi levado ao “terceiro céu” (2 Co 12.2). Os filhos de Deus que têm coração puro recebem visões de Deus que são enigmas para a mente mundana e incompreensíveis para o coração carnal. Mas para os santos em Cristo estas visões trazem o céu à terra, ao mesmo tempo que ainda arde neles o desejo de ver as glórias do céu.
7. A Volta para o Monte (34.1-9)
a) As segundas tábuas de pedra (34.1-4). Com a restauração dos filhos de Israel ao favor divino, Deus os aceitou como tendo renovado a parte que lhes cabia no concerto.66 Ainda restava Deus renovar sua parte escrevendo novamente a lei em outras tábuas de pedra. A lei quebrada tinha de ser restaurada. Moisés precisava subir outra vez o monte, receber a lei e voltar ao povo. Quando pecamos contra Deus, é necessário que as primeiras obras sejam feitas de novo (Ap 2.5). Temos de dedicar tempo
para restabelecer os que se desviaram. E desastroso que ocorram transgressões na igreja que perturbam a paz e o testemunho. Mas quando ocorrem, faz-se necessária a restauração antes que se dêem outras melhorias.
Deus mandou que Moisés talhasse duas tábuas de pedra, nas quais Deus anunciou que escrevería as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas (1).
Moisés tinha de fazer as pedras, mas Deus faria a escritura. Na primeira ocasião, Deus fizera as pedras e a escritura (32.16), mas agora Ele exigiu que Moisés fizesse uma parte. Não se tratava de castigo por Moisés ter quebrado as pedras; mas indica que o caminho de volta a Deus, depois da transgressão, requer mais para o crente que peca do que para o pecador inconverso.
Desta vez, Moisés tinha de subir o monte sozinho (3); todos os outros deviam permanecer no acampamento. Embora breves, as instruções para Israel foram as mesmas que as anteriores (19.12,13). Moisés foi cuidadoso em seguir as instruções explícitas de Deus. Fez as tábuas de pedra (4) e, pela manhã de madrugada, subiu ao monte como Deus lhe ordenara.
b) A visão de Deus (34.5-9). Deus cumpre sua promessa de se revelar: O SENHOR desceu numa nuvem (5). Os homens dos dias de hoje depreciam a linguagem bíblica de um Deus que “sobe”, “desce” ou “sobe numa nuvem”; mas estas frases antropomorfas retêm um conceito de Deus que é mais seguro e mais significativo que reduzi-lo a uma abstração como o “ground of being” (o “fundamento do ser”) ou a “inferência inevitável”. Embora esteja óbvio nesta aparição a Moisés que a realidade de Deus foi um tanto quanto evasiva, contudo a experiência foi dramática e real. O nome do SENHOR foi proclamado de maneira inédita (5); este nome era Yahweh, Yahweh Elohim (JEOVÁ, o SENHOR, Deus). O nome do SENHOR era indicação de sua natureza. Ele se revelou como misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade (6). Deus acabara de mostrar que guarda a beneficência (misericórdia, ARA) em milhares de Israel, que perdoa a iniqüidade, e a transgressão, e o pecado (7).
Iniqüidade transmite a idéia de “pecados cometidos por disposição
perversa”; transgressão é “rebelião contra Deus”. A palavra original para aludir a pecado significa “errar o alvo”; e “no Antigo Testamento, [é] a palavra mais geral para se referir a pecado”.67 A beneficência (7; “misericórdia”, ARA) de Deus é vasta, abrangendo todo o mal da raça humana. E interessante assinalar que aqui a misericórdia é proclamada em primeiro lugar e, em seguida, ocorre um aviso para ninguém presumir que Deus tolera a iniqüidade (cf. 20.5,6). Deus não pode e não perdoará os impenitentes que persistem no pecado. Embora o Senhor seja grande em misericórdia, os ímpios serão destruídos, mesmo que tenham experimentado uma vez a graça de Deus (cf. Hb 6.4-6).
Para quem pediu uma visão direta de Deus, esta experiência de ver somente as costas de Deus (33.23) trouxe humildade: Moisés apressou-se, e inclinou a cabeça à terra, e encurvou-se (8). Não em vã repetição, mas com desejo forte e urgente, Moisés orou: Senhor... vá agora... no meio de nós... perdoa a nossa iniqüidade e... toma-nos pela tua herança (9).
O tema dos versículos 1 a 8 é “As Tábuas de Pedra”. 1) Os mandamentos são permanentes, 1; 2) Os mandamentos são benevolentes, 5-7; 3) Os mandamentos são transcendentes, 8 (G. B. Williamson).
8. A Renovação do Concerto (34.10-28)
a) A promessa de Deus (34.10,11). Deus renova com Moisés formalmente o concerto quebrado. Prometeu conduzir Israel fazendo maravilhas (10), que seriam maiores aos olhos do povo que qualquer coisa jamais feita. Ele as chamou coisa terrível é o que faço contigo. “O que estou a ponto de fazer com vocês inspira terror” (VBB). O Senhor expulsaria os inimigos da terra da promessa (11). As maravilhas se cumpriram mais tarde em ocorrências como a queda dos muros de Jerico (Js 6.20) e a matança dos inimigos com chuva de pedra (Js 10.11). Ainda que Moisés não tenha vivido para ver estas vitórias, a promessa de Deus cumpriu-se para seu povo.
b) O aviso contra a idolatria (34.12-16). O mal de formar alianças com os povos da Terra Prometida era uma possibilidade real. Os israelitas tinham de se guardar (12) e não fazer concerto com os moradores, porque este procedimento seria um laço para eles. Para se proteger, Israel tinha de derrubar os altares, quebrar as estátuas e cortar os bosques (13). Não
deviam permitir que continuassem existindo. As estátuas (“colunas”,
ARA) e os bosques (“postes-ídolos”, ARA) eram objetos de culto erigidos para a adoração de deuses e deusas da mitologia cananéia. Estavam ligados com o culto a Baal, e foram “introduzidos em Israel pela fenícia Jezabel (1 Rs 18.19)”.68 “Ritos grotescamente imorais eram praticados com relação às colunas e bosques, e estas foram fonte contínua de tentação para os israelitas até o exílio.”69
Acerca da declaração de que Deus é zeloso (14), ver nota em 20.5. Todo concerto com os moradores da terra (15) levaria Israel a se unir com eles em festas a ídolos e casamentos entre si, resultando em apostasia e idolatria (16). Casar-se com alguém ligado a uma falsa religião é o caminho mais rápido para a desobediência. Os filhos se prostituem segundo os deuses das esposas. A idolatria, quer pagã ou da atualidade, é forma de adultério espiritual. A pessoa é infiel ao compromisso com Deus, quando o coração busca seguir os deuses deste mundo.
Em nossa sociedade, é quase impossível salvar nossos filhos da exposição a essas tentações. Colocadas juntas em escolas públicas e atividades comunitárias, as crianças cristãs são sujeitas diariamente a estas seduções. Nossa única esperança é a instilação de coragem e fé que resistirão ao engodo de “ídolos” mundanos e casamentos com não-crentes. Quando ocorrem alianças erradas e outros erros em nossa família, há o recurso à graça redentora de Deus e ao poder da oração intercessora pelo Espírito Santo.
c) Várias proibições (34.17-26). Muitas destas proibições são repetições de ordens anteriores. O recente pecado de Israel tomou imperativa a repetição do mandamento de não fazer deuses de fundição (17). As instruções encontradas nos versículos 18 a 20 são analisadas em 12.14-20; 13.3-13; e 23.15. O mandamento sobre o sábado (21; ver comentários em 23.12) acrescenta a necessidade de observar o dia santo na aradura e na sega. Os israelitas deviam resistir à tentação de, no dia de Deus, arar quando ameaçava chover ou de colher quando a colheita estava madura. Era fácil então, como é hoje, justificar o trabalho quando havia obrigações
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a cumprir.
Para verificar a análise dos dizeres dos versículos 22 e 23, ver comentários em 23.16,17. No versículo 24, os filhos de Israel recebem a promessa de
amplificação de fronteiras (termo; “território”, ARA) pela obediência e, quando comparecessem às festas anuais, livramento de ataques estrangeiros à terra. Comentários sobre as instruções dadas nos versículos 25 e 26 são achados em 23.18,19.
d) A finalização do concerto (34.27,28). Deus disse a Moisés: Escreve estas palavras (27) — as palavras que Deus acabara de lhe dizer (10-26). Conforme o teor destas palavras significa “com base nestas palavras” (Smith-Goodspeed; cf. NTLH). Estes acordos renovaram o concerto do Senhor com o povo. Clarke supunha que o procedimento incluía uma cópia das tábuas de pedra para Israel, visto que as originais seriam colocadas na arca.71 Em todo caso, foi Deus que escreveu os dez mandamentos nas duas tábuas (28; o pronome oculto ele [escreveu] deve ser entendido como referência a Deus; ver v. 1), e Moisés escreveu o restante do concerto. O servo do Senhor ficou no monte quarenta dias e quarenta noites, como da primeira vez, e jejuou em ambas as ocasiões (cf. 24.18; Dt 9.9). Deus lhe deu força especial para fazer estes jejuns.
9. O Brilho do Rosto de Moisés (34.29-35)
Os israelitas constataram um fato incomum quando Moisés desceu do monte. Ele não sabia, mas a pele do seu rosto resplandecia (29), “pois ele havia falado com Deus” (NTLH; cf. NVI). Seu semblante irradiava um brilho divino em resultado do encontro face a face com Deus. Quando Arão e os filhos de Israel olharam para Moisés, temeram de chegar-se a ele (30); mas Moisés os incentivou, chamando-os. Diante disso, Arão e os príncipes da congregação se aproximaram para ouvi-lo (31).
Depois (32), todos os filhos de Israel também se aproximaram para ouvir o relato completo de Moisés. Enquanto falava, a face de Moisés brilhava diante do povo. Após ter acabado de falar, ele colocou um véu sobre o seu rosto. O original em hebraico indica que o véu foi colocado depois de Moisés falar (cf. ARA; NTLH; NVI; o texto da RC insinua que ele ocultou a face enquanto falava). Pelo visto, Moisés tirava o véu quando entrava perante o SENHOR (34), depois saía e falava a mensagem ao povo com a face descoberta, cobrindo-a em seguida (para inteirar-se dos motivos, cf. comentários em 2 Co 3.13).
Esta evidência visual convenceu Israel que a mensagem de Moisés era de
Deus. Há quem considere que o brilho era a semelhança do homem a Deus, a qual foi perdida na queda (Gn 1.27) e será nossa na ressurreição.72 A glória na face de Moisés era similar ao brilho de Cristo no monte da transfiguração (Lc 9.29-31), compartilhado também por Moisés e Elias. Pode ser que Estêvão experimentou um brilho deste tipo quando compareceu diante do Sinédrio (At 6.15). Em 2 Coríntios 3.7-18, Paulo afirma que esta glória pertence aos crentes em Cristo que vêem as realidades de Deus “com [a] cara descoberta”. Este brilho interior do crente irromperá no dia da segunda vinda de Cristo e na ressurreição (cf. 1 Jo 3.1,2).
Os versículos 29 a 35 descrevem “A Face Brilhante”. 1) E recebida num encontro com Deus, 29; 2) E descoberta por quem está pronto a ouvir, 30-32,35a; 3) É oculta a quem está endurecido para ouvir 33,35b; 4) E renovada na volta da presença de Deus, 34.
C. A Construção do Tabernáculo, 35.1—38.31
A
Nos capítulos restantes de Exodo, grande parte do material é repetição das instruções dadas a Moisés no monte (ver 25.10—31.11). O leitor deve consultar os comentários nestas passagens para informar-se da descrição do Tabernáculo e sua mobília. Os comentários nesta seção estão limitados à matéria nova e às variações que ocorrem.
1. As Ofertas Voluntárias (35.1—36.7)
Moisés reuniu o povo para instruí-lo sobre as necessidades do Tabernáculo (1). Falou, primeiramente, da importância do dia de sábado (1-3). E possível que o zelo religioso, mesmo em construir a casa de Deus, pusesse em perigo a observância deste mandamento.
Em seguida, Moisés animou quem tinha coração voluntariamente disposto a
dar uma oferta de matérias-primas para a fabricação dos artigos necessários para o Tabernáculo (4-9). Insistiu que todos os sábios de coração (10; “todos os homens hábeis”, ARA) fizessem tudo o que o SENHOR mandara (10; cf. 10-19).
Os filhos de Israel responderam com prontidão. Seus corações estavam
abertos ao Senhor, por isso retribuíram com suas dádivas (20-29). Seus corações moveram-se e seus espíritos os impeliram (21). Deram de acordo com sua própria capacidade, visto que “todos os que podiam dar” (24, NTLH) levaram oferta aos trabalhadores. As mulheres também ofertaram o que puderam (25,26) fazendo trabalhos manuais. Os presentes mais caros foram dados pelos príncipes (27). Não se esperava que ninguém desse ou fizesse algo que estivesse fora de suas habilidades ou capacidade, e todos que deram ou fizeram agiram de bom coração.
Moisés deixou claro que Bezalel (30) e Aoliabe (34) foram escolhidos para executar determinadas tarefas por causa de suas habilidades especiais (3035). Nem todos têm a aptidão de fazer todas as diversas tarefas na obra de Deus. Mas é importante que cada um aprenda a fazer de boa vontade as coisas que sabe e pode fazer. Temos a obrigação de aprimorar as habilidades nas quais somos peritos. Deus enche tais pessoas de sabedoria, entendimento e ciência (31) no trabalho que Ele escolheu que façam. Estes trabalhadores seletos também eram hábeis em ensinar os outros para ajudá-los no serviço a Deus (34).
Os materiais trazidos pelo povo foram entregues a estes artesãos especializados (36.1-3). Quando se verificou que o povo levava mais que o necessário para a obra (5), Moisés passou a ordem (6) para ninguém mais levar ofertas. Quando o Senhor abre o coração das pessoas para dar, nunca há falta na obra. “Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9.7).
Nesta seção, “As Ofertas a Deus”: 1) Originam-se de um coração disposto a dar, 35.21,22,26; 2) São fornecidas de acordo com a habilidade de cada um, 35.10,24,25,35; 36.1,2,4; 3) Resultam em fartura, 36.5-7.
2. A Execução do Trabalho (36.8—38.20)
Esta seção registra a obediência implícita dos trabalhadores às instruções explícitas que Deus dera a Moisés no monte (ver comentários em 25.10— 27.19). O texto hebraico mostra notoriamente a precisão da execução do trabalho.73 Esta repetição de detalhes prova a lealdade minuciosa de Israel seguir rigorosamente as instruções de Deus. Tudo o que Ele dissera era importante, e nenhum detalhe foi negligenciado. O registro é testemunho da obediência perfeita de Israel a esse respeito.
Nova informação é dada acerca dos espelhos levados pelas mulheres que
“se reuniam para ministrar” (ARA) ã porta da tenda da congregação
(38.8). Os espelhos eram feitos de bronze muito bem polido. Eram
abundantes no Egito e as próprias mulheres de lá os faziam para usá-los.74
As israelitas também tinham esses espelhos e os levaram em oferta de
/
cobre (bronze) para a fabricação do altar (2) e da pia (8). E altamente louvável a oferta dessas mulheres para o altar de Deus proveniente de material originalmente criado para uso pessoal. Trata-se de “triunfo da religiosidade feminina sobre a vaidade feminina”.76
3. O Valor dos Metais (38.21-31)
E difícil interpretar em valores atuais a importância monetária destas ofertas. Johnson escreve:
O ouro chegou a 29 talentos e 730 siclos ou cerca de 40.940 onças de peso troy. A prata mencionada adveio apenas do dinheiro da expiação (30.13,14), e atingiu 100 talentos e 1.775 siclos ou perto de 140.828 onças de peso troy. Não foi feito computo das doações voluntárias de prata. Esforços em estimar os metais preciosos em valores da moeda corrente de hoje não significam muito, pois não temos meio de saber o valor cambial daqueles dias. [...] O bronze usado pesava em torno de três toneladas.76
A quantia era alta e revelava a dedicação do povo de Deus. E também significativo assinalar que o edifício descansava em bases de prata, as quais foram feitas com o meio siclo dado de forma igual por todo homem em Israel (38.26,27).
D. A Confecção das Roupas, 39.1-31
Este é o relato dos trabalhadores que confeccionaram as roupas de acordo com as instruções dadas a Moisés no monte (28.1-43). Há somente pequena variação na ordem de alguns itens. A narrativa ressalta o trabalho cuidadoso e qualificado dos artesãos e enfatiza a exatidão da fidelidade às instruções de Deus. As palavras: como o SENHOR ordenara a Moisés, são repetidas seis vezes neste trecho bíblico (1,5,7,21,26,31). As pessoas queriam seguir explicitamente as palavras de Deus.
E. Os Trabalhos Prontos São Apresentados a Moisés, 39.32-43
Levou cerca de seis meses a construção do Tabemáculo, sua mobília e utensílios.77 Quando tudo estava pronto, as peças foram levadas a Moisés (33) para inspeção. Ele conhecia o padrão e era o único qualificado para dar a palavra final. Se algo estivesse imperfeito ou defeituoso, teria sido rejeitado, mas nada disso ocorreu. Os trabalhadores trabalharam com zelo e atenção, e Moisés lhes garantiu que o trabalho fora feito como o SENHOR ordenara (43). Receberam a recompensa que todo bom trabalhador almeja: a aprovação de um trabalho bem feito. Moisés abençoou aqueles que fizeram o trabalho de modo tão fiel e hábil.
Connell escreve: “Ficamos nos perguntando por que todos os detalhes minuciosos do Tabernáculo e seus acessórios foram repetidos com tanta particularidade nestes capítulos. Ocorrem-nos, pelo menos, duas razões: a narrativa inspirada mostra como estes homens foram cuidadosos em seguir fielmente todos os detalhes do padrão que Deus lhes ordenara; e como Deus se agrada e mantém o registro exato da obediência do seu povo”.78
F. A Montagem do Tabernáculo, 40.1-33
Deus instruiu Moisés a erguer o Tabernáculo no primeiro mês, no primeiro dia do mês (2), exatamente dois anos depois de partirem do Egito. Os versículos 2 a 8 descrevem a colocação da mobília. Quando tudo estava em seu lugar, Moisés ungiu o tabernáculo e toda sua mobília com o azeite da unção (9-11). O óleo, tipo do Espírito Santo, tornaria estes objetos sagrados. As coisas materiais separadas para Deus são tornadas santas pelo toque de Deus (cf. comentários em 13.2).
Nos versículos 12 a 15, há instruções detalhadas sobre a consagração de Arão e seus filhos (12). A passagem de Levítico 8.1-13 dá a entender que a cerimônia de unção do Tabernáculo e dos sacerdotes ocorreu em data posterior.79 O uso da palavra perpétuo (15) só pode se referir à permanência do ofício sacerdotal na mesma família por muitas gerações; Cristo é o único sacerdote verdadeiramente perpétuo (Hb 7.17,23-25,28).
Quando a data marcada chegou — no mês primeiro, no ano segundo, ao primeiro do mês (17) —, a montagem do Tabernáculo estava pronta segundo as instruções (16-33). Cada peça estava armada e no lugar, começando com o tabernáculo propriamente dito (18,19), a instalação da arca dentro do Santo dos Santos (20,21) e a colocação do véu. Em seguida,
mobiliaram o Lugar Santo com seus objetos (22-27) e puseram na frente a coberta (cortina) da porta (28). Por fim, montaram o altar do holocausto, a pia e o pátio (29-33). Ficamos imaginando a emoção e a admiração que as pessoas sentiram quando viram diante de si os resultados de suas contribuições tomando forma (ver Diagrama A e B).
Pela primeira vez, quando este dia memorável chegava ao fim, colocaram o pão sobre a mesa da proposição (23), acenderam as lâmpadas do candelabro (25) e queimaram no altar de ouro o incenso de especiarias aromáticas na presença do Senhor (27). Moisés, e Arão, e seus filhos, lavaram-se na pia antes de começarem a ministrar (31).
G. A Dedicação Divina, 40.34-38
O povo fez o melhor que pôde nas ofertas voluntárias de bens e serviços; os trabalhadores especializados moldaram as matérias-primas em obras de arte adoráveis; Moisés aprovara os produtos finais e, segundo instruções, colocara-os na ordem apropriada para a casa de Deus.
Quando chegou a tarde no acampamento de Israel havia o novo santuário em seu meio. O povo estava contente e Moisés também. De repente, a nuvem (34), que até ali os guiara, moveu-se e pousou nas coberturas da tenda da congregação e a glória do SENHOR (um fogo ardente) encheu o Tabernáculo santo. A glória era tão luminosa que Moisés, que tentara entrar no santuário, não pôde entrar (35). Até este homem que falara com Deus face a face e que brilhara com a luz celestial constatou que, por enquanto, não dava para entrar em um lugar com tanta glória.
Nos versículos 36 a 38, o escritor antecipa o plano de Deus para o futuro. A nuvem e o fogo descansavam sobre o tabernáculo como características permanentes. Sempre que a nuvem se movia, o tabernáculo tinha de pôr-se em movimento; sempre que a nuvem ou o fogo parava, a casa de Deus tinha de parar (36,37). Este padrão se seguiu em todas (38) as jornadas de Israel. Pelo visto, mais tarde a intensidade da glória (35) se limitou ao Lugar Santíssimo, pois os sacerdotes tinham de ministrar no Lugar Santo.
A partir de então os israelitas podiam se alegrar na certeza de que o favor
de Deus voltara. O caminho de volta a Deus depois de pecarem fora longo e árduo. Por certo tempo ficaram, talvez, entregues à própria sorte, mas agora sabiam que Deus estava com eles em misericórdia. Com esta observação gloriosa de perdão perfeito e aceitação divina, o Livro de Êxodo, uma narrativa do plano redentor de Deus, chega ao fim.
Nestes versículos finais, vemos “A Salvação Perfeita de Deus”. 1) Feita pela obediência implícita de quem o busca, 33; 2) Entrada instantânea à glória divina, 34,35; 3) Presença ininterrupta do Espírito Santo (36-38).
Notas