A
Exodo recebe seu nome pela Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamento em uso nos dias de Jesus Cristo. O título hebraico era somente as primeiras palavras do texto: “Estes, pois, são os nomes dos filhos de...” (l.l).1 A palavra êxodo dá o tema da primeira metade do livro, visto que denota grande quantidade de pessoas saindo de uma região. A última metade do livro descreve o estabelecimento das instituições, das leis e da adoração em Israel.
O texto é bastante claro ao indicar que o autor foi testemunha ocular dos acontecimentos descritos no livro. As vividas descrições das pragas do Egito, das trovoadas no monte Sinai e do maná no deserto requerem a presença de uma testemunha. Os detalhes minuciosos relacionados com as fontes de água e as palmeiras em Elim, as duas tábuas de pedra, a adoração do bezerro de ouro e muitos outros elementos apontam uma testemunha ocular.2 Considerando que há pouca ou nenhuma evidência de adições posteriores ao livro, presumimos com segurança que o escritor de Êxodo compôs o material durante ou logo após as experiências registradas no livro.
Tomando como certo que um israelita contemporâneo aos fatos tenha escrito as narrativas em Êxodo, é fácil deduzir que Moisés foi o autor. O autor não podería ter sido um israelita comum; ele era altamente talentoso, educado e culto. Quem estava mais bem preparado entre todos estes escravos que Moisés? Jesus afirmou que a lei foi escrita por Moisés (Mc 1.44; Jo 7.19-22); seus discípulos também atestaram este fato 1J0 1.45; At 26.22). Há evidências internas no próprio livro de que Moisés escreveu certos trechos (17.14; 24.4). Connell escreve: “Nada no livro entra em conflito com a afirmação de Moisés ser o autor. A menção freqüente do nome de Moisés na terceira pessoa tem paralelos nos livros de Isaías e Jeremias. Além disso, o registro do seu chamado no capítulo 3 contém as mesmas marcas de autenticidade que as narrativas desses profetas”.3
A alta crítica contesta a afirmação de Moisés ter escrito o Pentateuco e assevera que estes livros são compilação de documentos escritos em diversas épocas posteriores. Esta posição radical, que nega a autoria mosaica do Livro da Lei, não é tão amplamente defendida hoje como foi
outrora. “Embora muitos estudiosos liberais ainda questionem a autoria mosaica do Pentateuco, achados arqueológicos dão a estudiosos de todas as formações teológicas um respeito maior pela historicidade dos acontecimentos que descreve”.4 A luz da pesquisa atual, não há razão sólida para abandonar a visão tradicional de Moisés ter escrito Êxodo durante a peregrinação no deserto.
A verdadeira data do êxodo do Egito e da doação da lei é um problema que, durante séculos, os estudiosos ainda não solucionaram. As datas sugeridas vão de 1580 a.C. a 1230 a.C. Achados arqueológicos “sugerem data em algum ponto do século XIII”, embora esta afirmação conflite com a data apresentada em 1 Reis 6.1. O caso “não é questão de doutrina, mas questão de esclarecimento histórico”.6
0 material encontrado em Êxodo segue com naturalidade a narrativa do Livro de Gênesis. A palavra “pois” (1.1) une esta narrativa com o relato que a antecede. O material em Êxodo não teria sentido sem os relatos de Gênesis. Depois de breve referência ao que vem antes, o autor descreve uma mudança da situação. O povo de Deus, outrora convidado e protegido de Faraó, tornou-se uma nação de escravos. Jeová incumbe-se de libertar o povo dos que o oprimem e fazer dele uma nação governada pelas instituições e leis de Deus dadas por revelação divina. O Êxodo é um quadro das grandiosas operações de Deus, redimindo e criando um povo para si mesmo.
A
O tema de Êxodo é claramente a redenção pelos atos poderosos de Deus. O líder de Israel é o Todo-poderoso que opera em seu servo Moisés e por meio dele. A tarefa de libertação parecia impossível, mas Deus a realizou com mão poderosa. O estabelecimento deste povo difícil em nova pátria como nação religiosa mostra-se impraticável, mas o livro termina com o triunfo da graça de Deus. O foco está no caráter de Deus que é aquele que se revela como poderoso e justo e, ao mesmo tempo, terno e perdoador.
Israel rememoraria estes acontecimentos por estas páginas da história, e veria — talvez com mais clareza do que o Israel do Êxodo — o Deus que se revelou a seu povo.
O propósito em escrever o livro é evidente. Esta narrativa dos atos de Deus em libertar seu povo do Egito e de lhe dar leis e instituições seria
lembrança constante do interesse especial de Deus por Israel e fator de união na adoração. Israel nunca podería ter se tornado e permanecido como povo cujo Deus é o Senhor sem a consciência destas ocorrências divinas na história de sua existência. Recontar estes eventos gerou fé nas gerações posteriores de Israel. Estes mesmos eventos são espiritualizados na grande redenção feita por Jesus Cristo na cruz do Calvário. Os cristãos olham estas manifestações divinas como símbolos da obra de Deus a favor deles em Cristo (ver Jo 1.29; Hb 8.5; 10.1).
Esboço
I. A Opressão no Egito, 1.1—11.10
A. Introdução, 1.1-22
B. A Preparação do Libertador, 2.1—4.31
C. O Prelúdio para a Libertação, 5.1—7.13
D. As Pragas do Egito, 7.14—11.10
II. Libertação e Vitórias, 12.1—18.27
A. A Páscoa, 12.1-36
B. O Êxodo, 12.37—15.21
C. A Viagem para o Monte Sinai, 15.22—18.27
III. O Concerto no Monte Sinai, 19.1—24.18
A. O Concerto Proposto por Deus, 19.1-25
B. Os Dez Mandamentos, 20.1-17
C. O Medo do Povo, 20.18-20
D. As Leis do Concerto, 20.21—23.33
E. A Ratificação do Concerto, 24.1-18
IV. A Instituição da Adoração a Deus, 25.1—40.38
A. A Planta do Tabernáculo, 25.1—31.18
B. A Quebra e a Restauração do Concerto, 32.1—34.35
C. A Construção do Tabernáculo, 35.1—38.31
D. A Confecção das Roupas, 39.1-31
E. Os Trabalhos Prontos São Apresentados a Moisés, 39.32-43
F. A Montagem do Tabernáculo, 40.1-33
G. A Dedicação Divina, 40.34-38
Seção I
A OPRESSÃO NO EGITO Êxodo 1.1—11.10 A. Introdução, 1.1-22
1. O Crescimento de Israel no Egito (1.1-7)
A
O escritor de Exodo liga este livro diretamente ao precedente com a palavra pois (1). Moisés não está contando outra história, mas está acrescentando outro capítulo da vida do povo de Deus. Todas as revelações de Deus estão conectadas com as últimas revelações cumprindo as primeiras.
a) De um começo pequeno (1.1-5). Estes, pois, são aos nomes dos filhos de Isra- a-
el, que entraram no Egito (1). Deus conhece seus filhos, quer sejam numerosos ou não. Deus repete o nome de seus filhos muitas vezes (ver 6.14-26; Gn 35.23-26; 46.8-26) para enfatizar o interesse que Ele tem por eles e o desejo de que as gerações futuras fiquem familiarizadas com Ele.
Cada um dos filhos de Jacó foi para o Egito com sua casa. Ninguém foi
deixado para trás. As onze pessoas aqui nomeadas (2-4) junto com José (5), que já estava no Egito, compõem a família de Jacó de doze filhos.
Com exceção de um, todos os seus filhos nasceram durante o período em que o patriarca morou nas proximidades de Harã (ver Mapa 1) com o sogro Labão. Benjamim, o mais novo, nasceu na viagem para Canaã (Gn 35.2326). Jacó levou toda sua família para o Egito a fim de estar com José. O
número total de almas, ou pessoas, foi setenta, todas sendo descendentes
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diretas de Jacó. E provável que havia outros indivíduos nas casas que não descenderam de Jacó. O clã de Abraão continha 318 homens adultos (Gn 14.14), e segundo este mesmo princípio, o número das várias famílias com seus respectivos servos que entraram no Egito poderia
ter chegado a milhares de pessoas.1 Mesmo assim, houve tremendo crescimento de Israel no Egito, ainda que contado com base em um começo dessa extensão.
b) Os líderes morrerão (1.6). Os pais e líderes têm de morrer; este é o modo de vida na terra. José faleceu e todos os seus irmãos (6). Aqueles de quem muito dependemos, no final das contas, partirão. O crescimento é dependente da morte. “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12.24). Uma geração passa para outra assumir o lugar. E assim com o povo de Deus como também com as demais pessoas do mundo.
c) O cumprimento da promessa de Deus (1.7). Os filhos de Israel frutificaram, e aumentaram muito. Ainda que os homens que Deus escolheu morram, Ele cuida dos filhos que ficam. Deus prometeu para Abraão que lhe aumentaria a semente (Gn 12.2; 15.5; 17.1-8) e aqui, no Egito, esta promessa foi cumprida. Quando Israel saiu do Egito o total computava cerca de 600.000 homens, além das mulheres e crianças (12.37). Levando-se em conta o tempo decorrido, não se tratava necessariamente de crescimento incomum.2 Mas considerando o ambiente hostil, esse aumento mostrava a providência especial de Deus.
O que Deus prometeu ao gênero humano na criação (Gn 1.28) agora estava tendo cumprimento na sua família escolhida. As palavras aumentaram muito provêm do hebraico que significa “abundar ou enxamear” como se dá com os insetos e na vida marinha (ver Gn 1.20; 7.21).- Os israelitas não somente eram muito numerosos, mas foram fortalecidos grandemente.
E lógico que esta expressão indica saúde e vigor. Moisés reconheceu esta providência graciosa quando escreveu: “Siro miserável foi meu pai, e desceu ao Egito, e ali peregrinou com pouca gente; porém ali cresceu até vir a ser nação grande, poderosa e numerosa” (Dt 26.5).
A terra que se encheu deles diz respeito a Gósen, onde Jacó e seus filhos se instalaram (Gn 47.1,4-6,27). Não há dúvida de que com o passar do tempo eles cresceram a ponto de este lugar se tornar pequeno demais, levando-os a se relacionar com os egípcios em outras regiões do país. O aumento numérico logo chamou a atenção do rei.
2. A Escravização de Israel no Egito (1.8-14)
a) Favores esquecidos (1.8). As breves palavras: Um novo rei... que não conhecera a José, transmitem muita história. O desempenho de José na preservação do Egito foi apreciado por seus contemporâneos. Agora uma nova dinastia, como provavelmente significam estas palavras, assumiu o poder no Egito. A dinastia dos hicsos reinou no Egito de aproximadamente 1720 a.C. até 1570 a.C. Estes reis eram estrangeiros e foram expulsos por este novo rei. Parece que a nova dinastia, a décima oitava, odiava todos os povos associados com os reis anteriores, sobretudo os hebreus.1 O novo rei desconhecia José e não se importava com o passado do Egito.
Esquecer José também significava esquecer Deus. Ao desconsiderar o povo de Deus, Faraó fixou a mente e o coração contra Jeová. E comum a recusa em se lembrar do passado resultar em rebelião presente. Todo aquele que fixa o rosto contra Deus terá dias infelizes.
b) Opressão desculpada (1.9,10). Homens maus buscam razões para justificar seus caminhos diante de outros homens e a seus próprios olhos. Este novo rei exagerou o problema dizendo que o povo... é muito e mais poderoso do que nós (9). Amedrontava-lhe o aumento numérico dos israelitas e a força que possuíam. O favor de Deus para com seu povo despertou ciúmes no rei.
O monarca temia a possibilidade de Israel se unir com os inimigos do Egito em uma guerra (10). Não há evidências de Israel ter intenções bélicas, mas é surpreendente o mal que o coração carnal pode ler nas intenções de outros homens.
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Na mente do rei, o maior desastre seria o povo sair da terra (10, ARA). E possível que todos soubessem a esperança de Israel se estabelecer na Palestina. Se Faraó temia a presença desse povo no Egito, por que não o mandou sair em vez de procurar destruí-lo (16,22)? Possivelmente porque tinha medo que se tornasse uma nação forte naquela região.
c) Crueldade engendrada (1.11,13,14). A sabedoria mundana sabe inventar métodos cruéis. O rei queria debilitar o poder dos israelitas, quebrando-lhes a vontade como grupo e levando-os a se tornar como os egípcios. De acordo com avaliações posteriores (Js 24.14; Ez 20.7-9), alguns israelitas fizeram exatamente isso. Sob circunstâncias normais, tais métodos teriam cumprido o desígnio do rei.
Os maiorais de tributos (11) eram supervisores gerais cujos métodos tiranos eram famosos. Provavelmente alguns desses chefes de serviços fossem israelitas (5.14). “Há [...] lugar para pensar que eles os faziam trabalhar desumanamente e, ao mesmo tempo, os obrigava a lhes pagar exorbitante tributo.”- 2 3 Cidades de tesouros eram “cidades-armazéns” onde eram armazenados provisões e armamentos.
As tarefas para os israelitas ficaram muito amargas com dura servidão (14). Pelo visto, o trabalho no campo refere-se a projetos de irrigação ou ao cuidado dos rebanhos do governo,4 ou possivelmente a levar tijolos para os lugares de construção.7 A escravidão era tão cruel quanto o homem podia torná-la sem infligir a morte.
d) Intenções contrariadas (1.12). Quando Deus interfere em prol do seu povo, os maus desígnios dos homens não têm sucesso: Quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais cresciam. Trata-se de reversão da lei natural, mas semelhante intervenção divina frustrou muitas vezes os perseguidores do povo de Deus. Ao conceder favor especial ao seu povo, Deus neutralizava o poder tirânico. Não houve libertação da escravidão, mas nas pessoas permanecia vigor e força.
Estes resultados incomuns confundiam os maiorais de tributos. Não conseguiam entender o que estava acontecendo, de maneira que se enfadavam — “por isso os egípcios passaram a temer os israelitas” (NVI). “Havia algo sinistro e enervante na situação.”8 Este ambiente só fazia aumentar o medo e a crueldade.
As ações de Faraó e seus conselheiros ilustram a “ACrescente Ousadia do Mal”. 1) A opressão geral do bem, 8-14; 2) O assassinato secreto dos inocentes, 15-21; 3) O extermínio total e franco da vida, 22.
a) A anulação da trama secreta (1.15-21). Considerando que Israel se multiplicou mesmo sob dura escravidão, o rei decidiu atacar o segredo da força: os bebês do sexo masculino. A fim de evitar publicidade, ele se serviu da cooperação das parteiras das hebréias (15) para que matassem os meninos ao nascerem. Talvez estas parteiras fossem egípcias designadas exclusivamente às hebréias.9 As duas parteiras nomeadas
eram provavelmente chefes de uma instituição de parteiras, visto que duas não dariam conta de todo o Israel.10 O propósito do rei era aniquilar os meninos e misturar as meninas na população egípcia. Este plano acabaria com Israel como nação. Os assentos (16) eram tamboretes ou banquinhos próprios para o parto, sendo comuns no Egito, Mesopotâmia e entre os hebreus.
Mais uma vez Deus frustrou a intenção do rei. Estas parteiras temeram a Deus (17) e não obedeceram à ordem do monarca. A influência israelita sobre os vizinhos foi eficaz. A razão que as parteiras deram ao rei era verdadeira: as mulheres hebréias... são vivas (19); elas davam à luz antes que a ajuda das parteiras chegasse. Dessa forma, Deus protegeu as mães hebréias e deu às parteiras uma desculpa satisfatória ao rei. “A fé em Deus capacita os homens a dar uma razão para não errarem.”11 Deus honrou estas parteiras com casas (21; “família”, ARA). E possível que tenham se casado com israelitas e se tornado membros do povo escolhido de Deus.12
b) A abertura da ameaça (1.22). Quando os homens lutam contra Deus, acabam chegando às raias do desespero. O rei do Egito não sabia mais o que fazer. Por duas vezes tentou reduzir a força de Israel e fracassou. Tinha de tomar medidas drásticas. Era imperativo que abrisse o jogo e exigisse o extermínio dos hebreus.
Desta vez, não precisava somente da ajuda dos maiorais de tributos ou das parteiras. Faraó encarregou todos os egípcios com a ordem de afogar os bebês do sexo masculino. No versículo 22, no original hebraico, não ocorre as palavras “aos hebreus”, mas estão subentendidas (cf. ARA). Por esta época, os israelitas estavam mais espalhados entre o povo do Egito do que
quando estavam concentrados na terra de Gósen. Estavam mais vulneráveis. Sem a providência de Deus, este decreto teria acabado com Israel.
O capítulo 1 retrata como “Deus Guarda o seu Povo”: 1) Quando pouco em número, 5-7; 2) Quando sob opressão, 8-14; 3) Quando ameaçado de extinção, 15-22.
B. A Preparação do Libertador, 2.1—4.31
1. O Nascimento, Proteção e Disciplina de Moisés (2.1-25)
Da perspectiva humana, o opressor egípcio fizera um édito que implicava na extinção de Israel. Se todos os meninos fossem afogados no rio, como uma nação sobrevivería? Com a supervisão de todo o povo para cumprir este desígnio mau, não havia jeito humano de resistência. Parecia que o fim chegara.
a) A providência secreta de Deus (2.1-10). Deus tinha um homem e uma mulher da casa de Levi (1) em quem podería confiar um segredo. Moisés não era o primeiro filho do casal, pois a irmã Miriã tinha idade o suficiente para cuidar do irmão (4; Nm 26.59). Além disso, o irmão de Moisés, Arão, era três anos mais velho que ele (6.20; Nm 26.59). Parece que o édito do rei entrou em vigor depois do nascimento de Arão, sendo Moisés o primeiro filho deste casal cuja vida estava em perigo por causa da proclamação do rei.
A fé dos pais (Hb 11.23) é claramente ilustrada quando a mãe viu que ele era formoso e escondeu-o três meses (2). Depois, ela o colocou em uma arca e a pôs nos juncos à borda do rio (3). A fé sempre resulta em ação, mesmo quando a ação é arriscada. Vivendo pela fé, a mãe também mostrou inteligência. Ela colocou o bebê num lugar do rio onde a princesa do Egito normalmente freqüentava. Também dispôs que a filha ficasse em um ponto estratégico para fazer a pergunta certa no momento certo (4,7). Para saber (4) ou observar. Também foi ato de fé a mulher hebréia entregar o filho nas mãos da princesa egípcia. Esta mãe, como ocorreu mais tarde com Ana e Maria, estava convencida de que seu filho era escolhido de Deus e estava disposta a entregá-lo à providência divina.
A graça de Deus está revelada na compaixão mostrada pela filha de
Faraó (6). Mesmo quando os homens maus fazem o pior que podem, Deus, por seu gracioso poder, coloca boa vontade e amor tenro no coração das pessoas que estão perto do tirano. Mal sabia o rei ímpio que Deus estava executando seu plano secretamente, mesmo quando parecia que o monarca mundano estava tendo sucesso. Também é interessante notar que, para criar o próprio filho, a mãe hebréia foi paga com parte do dinheiro de Faraó (9). Este é outro exemplo de que a ira do homem é posta para louvar a Deus.
E certo supor que Moisés (10) foi criado como príncipe egípcio e recebeu a melhor educação possível para um jovem daqueles dias. O nome, Moisés, era lembrança constante de sua origem, pois o significado hebraico é “tirado para fora” e o significado egípcio é “salvo da água” (VBB, nota de rodapé). Pelo que deduzimos, as primeiras palavras da mãe produziram fruto que se manteve vivo no coração do rapaz. Em seu interior se desenvolveu um senso de justiça e um ódio da injustiça que acabaram brotando em suas ações posteriores.
b) As ações prematuras de Moisés (2.11-15). As injustiças que os israelitas sofriam deram a Moisés um senso de missão. Quando tinha idade para agir por conta própria, examinou pessoalmente a carga que seus irmãos suportavam. Quando viu que um varão egípcio feria a um varão hebreu (11), seu desejo de ajudar o povo veio à tona. Percebeu que tinha razão em punir o malfeitor, ainda que soubesse que tal ação seria perigosa. Feriu ao egípcio (12), matando-o, depois de se certificar de que ninguém estava olhando. Moisés não tinha autoridade do Egito para corrigir estes males, e Deus ainda não o comissionara. Agindo por conta própria, entrou em dificuldades.
No dia seguinte, quando tentou resolver uma diferença entre dois hebreus, Moisés ficou sabendo que o assassinato do egípcio fora descoberto (14). Também ficou sabendo que havia injustiça entre seus irmãos. O povo que não apoiava o homem que queria ajudá-lo ainda não estava preparado para ter um libertador. E um autodesignado maioral (ou “príncipe”, ARA) e juiz também não estava preparado para ser o libertador. Moisés teve de esperar o tempo de Deus para receber mais instruções de uma Autoridade superior. O rei logo
tomou conhecimento do que Moisés fizera, mas antes de Faraó agir, Moisés fugiu para a terra de Midiã (15; ver Mapa 3), onde quarenta anos depois
(At 7.30) seria comissionado.
c) Moisés em Midiã (2.16-25). Os midianitas eram descendentes de Quetura e Abraão (Gn 25.1-4). Habitavam pelas redondezas do monte Sinai, na península do Sinai a leste do Egito, do outro lado do mar Vermelho. Esta montanha também era conhecida por “Horebe” (3.1).13 O sacerdote de Midiã (16) chamava-se Reuel (18), que significa “amigo de Deus”.14 Em outros pontos do texto, é conhecido por Jetro (e.g., 3.1; 4.12). Tinha sete filhas que apascentavam as ovelhas do pai, mas que passavam maus momentos com os pastores que maltratavam as moças. Moisés, sempre pronto a ajudar os desvalidos, levantou-se para socorrê-las. O texto não fala como conseguiu lidar sozinho com o grupo de pastores, mas conseguiu mantê-los afastados enquanto as moças davam de beber ao rebanho (17). Em conseqüência desta bondade, Moisés achou uma casa e uma esposa (21). Aqui se tornou pai do primeiro filho em terra estranha (22). O nome Gérson “não sugere apenas ‘estranho’, mas indica exílio, banimento” (VBB, nota de rodapé).
Durante o tempo da permanência de Moisés em Midiã, o povo oprimido no Egito sentiu mais intensamente o peso esmagador da escravidão (23). Os líderes do Egito tinham recorrido à servidão cruel para manter os hebreus em sujeição, descontinuando a política de matar os recém-nascidos do sexo masculino.
Mas Deus estava cuidando dos seus. Ele ouviu o gemido do povo e se lembrou do concerto (24). Deus adiou a libertação de Israel até que Moisés e Israel estivessem prontos. Moisés precisava das disciplinas do deserto, e o desejo de Israel por liberdade precisava aumentar. A escravidão continuada no Egito uniu o povo de Israel no desejo por liberdade e na fé de que só Deus podia livrá-lo. Deus ouve os clamores do seu povo, mas espera até “a plenitude do tempo” para dar a vitória. Conheceu-os Deus (25) significa “Deus se preocupava com eles” (VBB).
2. O Chamado e a Comissão de Moisés (3.1—4.17)
a)Asarça ardente (3.1-6). De acordo com Estêvão (At 7.23), Moisés tinha quarenta anos quando matou o egípcio, e, depois de outros quarenta anos, ele encontrou o Senhor na sarça ardente (At 7.30). Depois deste período no deserto, Deus viu que seu povo e Moisés estavam prontos para o milagre
de libertação. Aqui, o sogro de Moisés recebe o nome Jetro (1), embora seja possível que Jetro fosse o filho de Reuel e, portanto, cunhado de Moisés.15 Ainda pastor, Moisés estava nas proximidades de Horebe, o monte de Deus (1), também chamado Sinai (ver Mapa 3). E provável que Horebe fosse o nome dado à cadeia de montanhas, ao passo que Sinai dissesse respeito a um grupo menor ou a um único cume.16
Os estudiosos da Bíblia consideram que o anjo do SENHOR (2) na sarça
ardente seja Cristo pré-encarnado,17 embora o Novo Testamento nunca use essa expressão para se referir a ele. Na Bíblia, uma chama de fogo simboliza a presença de Deus (Hb 12.29). Este fato despertou a curiosidade de Moisés, momento em que Deus falou com ele. Então, encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus (6). Ele não podia ficar em pé levianamente na presença de Deus, e aprendeu que a presença divina santifica o lugar onde Ele aparece (5).
Nos versículos 1 a 6, vemos o tema “O Servo de Deus”. 1) O emprego no qual se engajou, 1; 2) A visão que testemunhou, 2; 3) A resolução que fez,
3; 4) A proibição que recebeu, 5; 5) O anúncio que ouviu, 6.18
b) O plano divino (3.7-10). Deus se envolveu na situação difícil do seu povo. Ele disse: Tenho visto atentamente, tenho ouvido e conheci (7).
Pode ter esperado muitos anos, mas sabia o tempo todo. Estas palavras garantem que Deus ouve atentamente os clamores de tristeza e conhece os apuros humanos.
Deus sempre está agindo no mundo, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17.28). Interfere na história em ocasiões especiais para se revelar e realizar sua vontade. Ele disse a Moisés que desceu para livrar seu povo do Egito (8). Havia um lugar preparado para eles numa terra boa, larga e que mana leite e mel. Esta descrição não significa que Canaã era mais fértil que o Egito, mas que era uma terra boa, frutífera e suficientemente espaçosa para Israel. Tratava-se de uma terra identificada pelos nomes dos povos cuja iniqüidade estava cheia, tendo de renunciar a terra a favor dos escolhidos de Deus (Gn 15.16-21).19
Embora Deus pudesse ter livrado Israel diretamente por uma palavra, preferiu fazer sua obra por seu servo. Disse Deus a Moisés: Eu te enviarei a Faraó (10). Este homem, outrora autodesignado libertador,
tinha de ir à presença do orgulhoso rei e tirar Israel do Egito sob a direção de Deus.
Identificamos “O Envolvimento de Deus com o seu Povo” em cinco declarações: 1) Tenho visto atentamente, 7; 2) Tenho ouvido, 7; 3) Conheci, 7; 4) Desci, 8; 5) Eu te enviarei, 10.
c) As instruções divinas (3.11-22). A princípio, Moisés contestou o plano de Deus usá-lo. Viu: a) sua incapacidade: Quem sou eu?; e b) a impossibilidade da tarefa: E tire do Egito os filhos de Israel? (11). O príncipe que há quarenta anos era confiante em si mesmo agora temia a tarefa. Era mais sábio no que concerne à capacidade humana de ocasionar a libertação, mas ainda tinha de aprender o poder de Deus. Como é freqüente hesitarmos quando olhamos para nós mesmos — ato que devemos fazer —; mas não precisamos ter medo quando olhamos para Deus!
Certamente eu serei contigo (12) sugere que quando Deus escolhe um mensageiro, Ele não se baseia na habilidade do indivíduo, mas na submissão deste à vontade de Deus. Deus assegurou a Moisés que ele e o povo serviríam a Deus neste monte depois que Israel fosse libertado do Egito. Aexpressão: Isto te será por sinal, está corretamente traduzida.
Moisés percebeu que, como porta-voz de Deus, ele tinha de convencer o povo. As pessoas perguntariam: Quem é este Deus que está te enviando? Qual é o seu nome? (13). Os deuses egípcios tinham nomes, e as pessoas iam querer saber o nome do Deus delas.
Aqui em Horebe, Deus disse: EU SOU O QUE SOU (14). O original hebraico é uma forma da palavra Yahweh (Jeová). O tempo é indefinido, podendo significar igualmente o passado, o presente ou o futuro.20 Deus “se revelou a Moisés não como o Criador — o Deus de poder — Elohim, mas como o Deus pessoal de Salvação, e tudo o que contém o ‘eu sou’ será manifestado pelos séculos por vir”.21 Este nome também revelou sua eternidade — Ele era o Deus de vossos pais e este seria seu nome etemamente: Seu memorial de geração em geração (15). Mais tarde, este Ser divino disse que seria ele aquele “que é, e que era, e que há de vir, o Todo-poderoso” (Ap 1.8). E evidente por Gênesis 4.26 (onde Yahweh é traduzido por “o SENHOR”) que aqui Moisés recebeu uma explicação de
um nome há muito conhecido (cf. tb. 6.3 e os comentários feitos ali).
Moisés foi comissionado a reunir os anciãos de Israel (16), informá-los quem era Deus e que Ele ouvira os clamores do povo. Ele falaria que Deus prometeu libertar os israelitas do Egito e lhes dar por herança a terra de Canaã (17; cf. CBB, vol. II). Deus disse a Moisés que o povo lhe daria ouvidos (18). As pessoas concordariam em levar a petição ao rei.
Pedir uma viagem de três dias para sacrificar ao SENHOR (18) era um teste da disposição de Faraó em cooperar com Deus. “E indubitável que havia reticência [retenção de informação] aqui, mas não falsidade.”22 Deus deu a Faraó todas as chances para cooperar com Ele. Mas Ele sabia que o rei não concordaria, nem mesmo por uma mão forte (19). Deus sabe tudo, até o que Ele não faz por decreto.
Deus prometeu fazer grandes maravilhas no Egito, para que, no fim, Israel tivesse permissão de sair (20). Quando saíssem, cada mulher deveria pedir haveres dos egípcios (22), que mostrariam graça a estas pessoas (21) dando dos seus tesouros. Considerando que estavam escravizados por longo tempo, os israelitas tinham direitos a esta remuneração. Desta forma, Israel despojaria o Egito (22).
Nos versículos 14 a 22, há uma revelação de “O Deus Eterno”: 1) Ele revela seu nome, 14-16; 2) Ele mostra seu plano, 17,18; 3) Ele assegura seu poder, 19-22.
d) Os sinais divinos (4.1-9). Moisés era muito humano, e sua fé ainda estava fraca. Ele disse acerca dos hebreus: Eis que me não crerão (1). Deus então pacientemente lhe deu mais garantias. Usando o cajado comum de pastor, Deus deu provas do seu poder sobrenatural (2,3) transformando a vara em cobra.
O segundo sinal para Moisés foi a mão que ficou leprosa (6,7). Se as pessoas não cressem no primeiro nem no segundo sinal, creríam no terceiro: a transformação das águas do rio em sangue quando fossem despejadas em terra seca (9).
Além do caráter miraculoso, estes sinais ensinavam lições importantes. Avara, símbolo do pastor ou trabalhador comum, quando entregue a Deus se torna maravilha e poder. A lepra, símbolo do pecado e corrupção no
Egito, pode ser curada imediatamente pelo poder de Deus. O sangue, sinal de guerra e julgamento, garantia vingança pela maldade dos egípcios.23
e) O método divino (4.10-17). Depois de receber estes sinais, Moisés tinha todos os motivos para aceitar a tarefa de Deus e crer em sua palavra. Mas ainda não estava propenso a obedecer, dando mais uma desculpa: Sou pesado de boca e pesado de língua (10). Moisés não sentiu mudança alguma embora tivesse falado com Deus; ainda se sentia pesado de boca. Mas Deus lhe assegurou que a vitória seria dada por meio de Moisés (11,12), mesmo quando prometeu vencer o problema da incredulidade do povo. Moisés, porém, não estava convencido; a verdade é que ele não queria ir para o Egito. O significado do versículo 13 é: “Ah! Senhor! Envia outra pessoa” (cf. ARA).
Por causa disso, se acendeu a ira do SENHOR contra Moisés (14).
Mas, o único castigo dado a Moisés foi o compartilhamento de liderança com Arão, seu irmão. Arão seria a boca (16), ou o porta-voz, e Moisés seria Deus, ou o profeta. Moisés parece que concordou com este arranjo, pois suas objeções cessaram. Deus respondeu a todos os receios deste homem. Mas o arranjo foi secundário em termos de qualidade e perfeição. Arão mostrou-se ser muito mais um obstáculo que uma ajuda (e.g., 32.1-25; Nm 12.1,2).
O segredo do sucesso de Moisés foi levar esta vara na mão (17). Neste capítulo, levar “A Vara de Deus” significa: 1) A rendição completa de si mesmo a Deus, 2-4; 2) O meio pelo qual as pessoas reconheceríam a presença de Deus, 5; 3) O canal pelo qual Deus mostraria seu poder, 17.
3. A Volta de Moisés para o Egito (4.18-31)
a) A prestação de contas (4.18-20). Moisés, agora submisso ao plano de Deus, primeiramente foi obter permissão de Jetro para ir embora e voltar ao Egito (18). Não lhe apresentou todas as razões para a mudança, mas o motivo que deu foi suficiente para obter aprovação. Seus irmãos eram as pessoas de sua nação, os israelitas. Jetro disse: Vai em paz. Deu liberdade a Moisés e, assim, não pôs impedimento ao plano de Deus.
Deus garantiu que as pessoas que procuravam a vida de Moisés estavam mortas (19). Moisés começou a viagem com sua mulher e dois filhos (20;
cf. 18.3,4), embora pareça que depois do episódio da circuncisão (24-26), ele os tenha mandado de volta a Jetro (18.2) e prosseguido sozinho com Arão (29). E lógico que as palavras tornou à terra do Egito (20) é uma declaração geral que teve cumprimento no versículo 29. Pode ser traduzida por: “Pôs-se a voltar para a terra do Egito”.24
b) A repetição da mensagem (4.21-23). Deus instruiu Moisés mais uma vez que, quando chegasse ao Egito, executasse as maravilhas diante de Faraó. Deus também lhe disse que endurecería o coração de Faraó para que o rei não deixasse o povo ir (21; ver comentários em 7.13 acerca do endurecimento do coração de Faraó). A vitória de Deus sobre este tirano não seria rápida, mas a vitória final seria do Senhor (cf. 3.20). Deus
deu todas as oportunidades para Faraó obedecer. Logo o Senhor lhe avisaria que, visto que Israel era o primogênito (22) de Deus, a recusa em obedecer significaria morte aos primogênitos do rei (23). Pouco a pouco ficaria claro para Faraó que ele estava oprimindo o povo de Deus e a recusa era rebelião contra o Deus Todo-poderoso.
c) A disciplina para Moisés (4.24-26). Estes três versículos são difíceis de interpretar. Embora Moisés estivesse obedecendo a Deus ao voltar para o Egito, algo estava errado. Deus instituira o rito da circuncisão para todos os filhos de Israel. Parece que Moisés se circuncidou e executou o rito em seu primeiro filho. A reação de Zípora (25,26) indica forte desaprovação do ato e sugere que Moisés havia concordado em não circuncidar o
segundo filho a fim de agradar a esposa. Mas Deus exigia obediência, e forçou Zípora a aceitar o que parece ter sido extrema aflição para o marido (24). A obediência trouxe cura para Moisés (26), mas o incidente ocasionou a volta de Zípora para a casa do pai (18.2).
d) O relato a Arão (4.27,28). O Senhor instruiu Arão para que fosse ao encontro de Moisés, ao deserto (27). Deus fez o trabalho preparatório em ambos os irmãos. Talvez tenham se encontrado no monte Sinai depois da volta de Zípora para casa.
Moisés contou a Arão tudo que Deus lhe dissera, e também lhe falou sobre os sinais (28). O relato é breve, mas obviamente Arão aceitou a revelação que Deus dera a Moisés sem colocar nada em dúvida.
e) O relato para o povo (4.29-31). Os dois irmãos voltaram para o Egito e
conclamaram uma reunião com os anciãos (os homens de liderança) dos filhos de Israel (29). Tendo Moisés contado a Arão as palavras de Deus no encontro que tiveram (28), foi Arão que falou todas as palavras e fez os sinais perante os olhos do povo (30). Como Deus prometera (3.18), o povo creu nas palavras e nos sinais (31). Era ocasião de alegria, quando estes hebreus oprimidos ficaram sabendo que Deus ouvira seus clamores e estava pronto para agir; eles inclinaram-se e adoraram.
C. O Prelúdio para a Libertação, 5.1—7.13
1. A Primeira Visita a Faraó (5.1-23)
Chegou o momento da prova. Moisés e Arão estavam equipados e instruídos. O povo estava informado e parecia preparado para seguir a Deus. Estava na hora de confrontar o tirano.
a) A recusa do rei (5.1-5). Ao homem que mantinha Israel em seu poder, Moisés e Arão proferiram a palavra de Deus: Deixa ir o meu povo (1). Não há que duvidar que Faraó ficou surpreso, porque ele considerava que Israel era seu povo. Fazia mais de quatro séculos que os hebreus estavam no Egito. Como alguém poderia pedir a lealdade destes escravos e exigir que fizessem uma festa de sacrifício?
Além disso, Faraó não reconhecia autoridade senão a si próprio. Ele perguntou: Quem é o SENHOR, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? (2). Havia muitos deuses no Egito, e este rei conhecia todos. Para ele, as pessoas tinham de manipular os deuses e não lhes obedecer. Seu ultimato foi: Não conheço o SENHOR, nem tampouco deixarei ir Israel.
Moisés e Arão mantiveram-se firmes na petição. Disseram ao rei: O Deus dos hebreus nos encontrou (3). Pediram permissão para fazer uma viagem de três dias a fim de sacrificar ao Deus que serviam. No único tipo de linguagem que Faraó entendia, avisaram que, caso o pedido fosse negado, o Senhor o julgaria: E ele não venha sobre nós com pestilência ou com espada. Mas o rei recusou assim mesmo.
Faraó os acusou de preguiçosos, indivíduos que procuram fugir da responsabilidade apelando para a religião. Por que fazeis cessar o povo
das suas obras? (4). Para ele, tratava-se de preguiça e afronta. Em outras palavras: “Por que afastar as pessoas do trabalho?” Os déspotas sempre acham difícil acreditar que os súditos tenham uma causa justa.
b) O aumento de trabalho (5.6-14). O rei, furioso, ordenou imediatamente que os exatores do povo e os oficiais (6)25 israelitas aumentassem o trabalho dos escravos. Em vez de fornecer a palha dos campos já cortadas e prontas para uso, os exatores do povo exigiram que as pessoas mesmas colhessem palha para si (7). A palha era misturada com barro para deixar mais forte os tijolos secos ao sol. O restolho era a parte inferior do talo das gramíneas. Embora houvesse o trabalho extra de juntar a palha,
a conta (o número) dos tijolos fabricados devia permanecer a mesma (8). Este tirano, insensível ao bom senso, estava determinado a minar a vontade do povo. Nem se dava conta de que não podia ir contra Deus. Ele poderia ser cruel com o povo de Deus, mas as palavras que ouvira não eram palavras de mentira (9).
Os exatores do povo e seus oficiais executaram as ordens de Faraó (10,11). Os escravos se espalharam por toda a terra do Egito a colher restolho (12). Os exatores
(13) , com medo de perderem o emprego, pressionavam duramente os oficiais hebreus. Quando a cota de tijolos não foi atingida, açoitaram os oficiais dos filhos de Israel
(14) . Os esforços de Moisés e Arão tiveram efeito oposto ao esperado.
c) Os três apelos (5.15-23). Os oficiais dos filhos de Israel (15) achavam que tinham feito algo de errado. E lógico que Faraó não exigiria que estes escravos cumprissem tarefas descabidas. Foram diretamente à presença do rei para pedir explicações: Por que fazes assim a teus servos?
Pensaram que a falha estava no povo do rei (16). Mas estes oficiais hebreus ficaram sabendo da verdade. Fora o próprio rei que fizera a exigência. Ele afirmou que os hebreus eram ociosos (“preguiçosos”), porque queriam sacrificar ao SENHOR (17). Desumanamente renovou a demanda do trabalho (18).
O segundo apelo foi feito pelos oficiais a Moisés e Arão (20). Viram que, com Faraó, a porta estava fechada e que estavam em situação ruim. Em
aflição (19) significa “em extrema dificuldade”. Botaram a culpa em Moisés e Arão (20), afirmando que eles tornaram os israelitas (não o nosso cheiro, mas simplesmente “nos”, ABA) repelentes diante de Faraó e diante de seus servos e deram a eles a espada nas mãos (21), ou seja, puseram em perigo a vida dos hebreus.
As vezes, a fé iniciante é fraca. No princípio, estes homens tinham crido em Moisés, mas esta prova severa levou-os a duvidar. Moisés logicamente estava errado! Como Deus poderia estar em ação quando as coisas ficaram piores? Ainda tinham de aprender que fica mais escuro justamente antes do raiar do dia, que todas as coisas devem ser contadas como perda (Fp 3.8) para que Deus se tome tudo e que Deus liberta quando a pessoa chega ao fim de si mesma.
O terceiro apelo foi feito por Moisés ao SENHOR (22). Em vez de dar uma resposta aos oficiais, ele foi diretamente a Deus. Muitas vezes é fútil fazer o contrário, sobretudo quando a mente está confusa. Era nitidamente claro que a situação piorara. Não havia sinal externo de que Deus começara uma libertação. Moisés perguntou: Por que me enviaste? (22).
O Senhor se agrada quando vamos à sua presença com nossos “por quês?” e “para quês?” Quando a fé está em crescimento sempre há retrocessos. Deus freqüentemente nos humilha antes de mostrar seu braço forte. Muitos santos clamaram: “Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador?” (Ap 6.10), mas Deus cuida de cada movimento dos seus filhos sofredores.
2. A Renovação da Promessa e da Ordem (6.1-13)
Deus não deixou Moisés na mão. A demora na libertação não significava renúncia da promessa. Deus estava trabalhando em seus propósitos. Smith-Goodspeed traduz o versículo 1 assim: “Agora verás o que farei a Faraó; forçado por um grandioso poder ele não só os deixará ir, mas os expulsará da terra”. Outras dificuldades tinham de vir sobre Israel (5.19), mas a promessa de Deus ainda era certa.
O valor da promessa estava no fato de Deus endossá-la: Eu sou o SENHOR (2). Os antepassados de Israel conheciam o Deus Todo-poderoso (3), o Deus de poder e “força dominante”. “Aqui a idéia primária de Jeová concentra-se, pelo contrário, em sua existência absoluta, eterna, incondicional e independente.”26 Ambos os nomes eram muito antigos e
amplamente conhecidos (Gn 4.26; 12.8; 17.1; 28.3), mas Deus se manifestou principalmente pelo nome de El Shaddai, Deus Todo-poderoso. Para este grande livramento, o próprio Deus revelou o pleno significado de Yahweh, “o Senhor”. Esta não é outra narrativa do chamado de Moisés, diferente da anterior, como advogam muitos estudiosos liberais,27 mas trata-se de uma renovação das promessas a Moisés com maior destaque a um povo desanimado.28
A nova revelação neste nome retratava que Deus se ligara com seu povo por concerto (4). Este concerto começou com os patriarcas e incluía a promessa da terra de Canaã, por onde, durante muitos anos, vaguearam como peregrinos e estrangeiros (Gn 15.18). Deus se lembrou do concerto quando ouviu o gemido dos filhos de Israel por causa da escravidão (5). Ele não esqueceu; somente esperara até que os filhos estivessem prontos para cumprir sua parte no concerto.
Deus ordenou que Moisés renovasse a confiança dos israelitas. Ele tinha de lhes dizer que seriam libertos da servidão egípcia, que Deus os resgataria com braço estendido (“ação especial e vigorosa”, ATA) e com juízos grandes (6) sobre os opressores. Israel seria o povo especial de Deus e lhe daria a terra da promessa por herança (7,8). Estas palavras tranqüilizadoras foram apoiadas pela declaração: Eu, o SENHOR.
Embora a promessa fosse feita com firmeza, os líderes de Israel não ouviram a Moisés, por causa da ânsia do espírito e da dura servidão
(9). Embora tivessem crido antes (4.31), o aumento da crueldade os abatera tanto que meras palavras de promessa não bastariam. As vezes Deus tem de operar para que creiamos em suas promessas. Mais tarde, nos lembraremos das palavras da promessa.
Quando Moisés (10) não pôde convencer Israel, duvidou que pudesse convencer Faraó (11), a quem agora Deus o dirigia. Se Israel não lhe dava ouvidos, por que Faraó escutaria? Incircunciso de lábios (12), de acordo com a expressão idiomática em hebraico, seria um defeito que interfere com a eficiência.29 O ouvido incircunciso era um ouvido que não ouvia (Jr 6.10), e o coração incircunciso era um coração que não entendia. A boca de Moisés não podia falar com clareza. Mas a despeito da debilidade humana, Deus falaria. Ele daria mandamento para os filhos de Israel e
Encontramos em 5.22 a 6.13, certos “Problemas para a Fé”: 1) A demora de Deus em agir, 22,23; 2) Espíritos desanimados e abatidos, 9; 3) Pessoas indiferentes, 12; 4) Enfermidades físicas, 9.
Nos versículos 1 a 8, temos estas “Garantias para a Fé”: 1) O poder de Deus, 1; 2) O nome de Deus, 3; 3) A resposta de Deus, 5; 4) O relacionamento de Deus, 7; 5) A promessa de Deus, 8.
3. A Genealogia de Arão e Moisés (6.14-27)
A
Neste ponto, o autor de Exodo chegou ao fim de uma narrativa preliminar sobre a bbertação dos israelitas da terra do Egito. O drama da vitória estava a ponto de começar. Seu desejo, como também o de Deus, era manter o relato nitidamente relacionado com a história, e sobretudo com a história do povo de Deus. A tarefa de Moisés e Arão era tirar esse povo da terra do Egito (13). O autor escrevia sobre estes dois homens (26,27) e seus nomes achavam-se na genealogia oficial. Por esta razão, o autor inclui essa porção da genealogia aqui.
A lista começa com Rúben (14) e Simeão (15), os dois irmãos mais velhos de Levi. Estes dois personagens e seus descendentes foram, primeiramente, mencionados para mostrar onde Levi se encaixava na lista e, também, para indicar que é freqüente a escolha de Deus deixar de lado o primogênito.30 Estes eram chefes de famílias, ou “clãs”, e além dos nomes da primeira geração nenhum outro é dado para os filhos destes dois irmãos mais velhos.
A preocupação primária aqui era o relato da família de Levi, da qual descendiam Moisés e Arão. As idades de Levi (16), Coate (18) e Anrão (20) não são dadas por razões cronológicas, mas para mostrar a boa providência de Deus revelada a esta família antes mesmo que a tribo fosse escolhida para prestar serviços sacerdotais.31 Pela primeira vez, a genealogia da tribo de Levi é apresentada em detalhes (cf. Gn 46.9-11; Nm 3.18-33).
O Anrão do versículo 18 não pode ser o mesmo do versículo 20, porque várias gerações se interpõem entre eles. Este método de registro genealógico não era incomum para os hebreus.32 O autor deu os
descendentes dos parentes de Moisés e Arão (19,21,22,24), mas seu interesse primário fixava-se nestes dois líderes. Corá (24), primo de Moisés, é mencionado mesmo que depois seja narrada sua morte; ele é incluído porque seus filhos sobreviveram (ver Nm 16.1; 26.11).
Joquebede (20, mãe de Moisés) era tia de Anrão, sendo provavelmente da mesma idade. Esse tipo de casamento não era raro antes da lei (Lv 18.12).33 Aqui, o autor não menciona os descendentes de Moisés, mas relaciona o filho e o neto de Arão, respectivamente, Eleazar (23) e Finéias (25). O nome da esposa de Arão, Eliseba (23), é mais conhecido em sua forma grega “Elisabete”.
O autor quer que os leitores saibam quem eram Moisés e Arão. Ninguém deveria se equivocar com a identidade desses servos de Deus. Estes são Arão e Moisés (26) que receberam as palavras de Deus e as falaram a Faraó, rei do Egito (27). Segundo os seus exércitos (26) não significa necessariamente exércitos de homens armados; diz respeito à organização sistemática por tribos e famílias quando Israel se punha em ordem para marchar.
4. A Segunda Visita a Faraó (6.28—7.13)
a) A mensagem para Faraó (6.28—7.7). Os versículos 28 e 29 repetem a ordem de Deus para que estes dois líderes fossem à presença de Faraó. Moisés ainda relutava, por causa do seu defeito de fala (30; cf. v. 12 e comentários ali), dando outra vez destaque ao plano de Deus usar Arão. Mas o lugar de Moisés era de importância vital. Ele era como Deus sobre Faraó (1). E freqüente Deus colocar seu povo como deus sobre os filhos e vizinhos, em posições de autoridade e cargos de responsabilidade não buscados por eles. Nestas funções, como é importante falarmos todas as suas palavras (2)!
Embora estivesse claro que o coração de Faraó seria endurecido e ele não ouviria (4), eles tinham de falar assim mesmo (ver comentários em 7.13 sobre o endurecimento do coração de Faraó). Junto com o endurecimento do coração do rei havería multiplicidade de sinais e maravilhas (3) e viriam grandes juízos (4). Quanto à expressão os meus exércitos consulte os comentários encontrados em 6.26. Deus estava prestes a punir o Egito e mostrar misericórdia ao seu povo. Ele estava pronto a exercer
estas duas ações de certo modo a fazer com que os egípcios soubessem que eu sou o SENHOR (5). As atividades de Deus não deveriam ser feitas em segredo; eles tinham de mostrar o poder e a glória divina. Ele esteve trabalhando por trás das cenas com Moisés e Arão, e anteriormente com seus pais, em segredo. Ele abriu o coração dos anciãos quando foram informados sobre os movimentos de Deus. Mas o Deus que esperou com paciência por tantos anos agora estava pronto para se mostrar abertamente à vista de todos. Com a garantia dessa palavra, Moisés e Arão (6) agiram. As idades exatas destes servos do Senhor são apresentadas como data para estes tremendos acontecimentos (7).
b) O primeiro milagre diante de Faraó (7.8-12). Quando Faraó pedisse confirmação na forma de milagre, Moisés e Arão tinham de estar preparados com a vara de Deus que Moisés agora confiara a Arão (9). O propósito do milagre era provar as afirmações que os servos de Deus faziam sobre a orientação sobrenatural. Quando Arão lançou a vara diante de Faraó, ela tomou-se em serpente (10). Faraó chamou os sábios e encantadores (11), e estes magos (“feiticeiros e ilusionistas”, ATA) do Egito também transformaram suas varas em serpentes mediante seus encantamentos. “A magia era amplamente praticada no Egito e consistia principalmente na composição e emprego de feitiços, os
quais acreditava-se que exercesse poderoso efeito sobre os homens e os animais irracionais.”34 Não está claro se as ações praticadas por estes mágicos eram resultado inteiramente de manipulação humana ou se havia o poder sobrenatural de espíritos malignos.35 Em todo caso, o ato tendia a desacreditar o milagre da vara de Arão. Este intento foi compensado quando a vara de Arão tragou as varas (12) dos outros. Qualquer que seja o poder que Deus permita os inimigos possuírem, sua força sempre é maior. Contudo, parece que Deus permite a presença de bastante engano junto com seus milagres para que os corações duros, que escolheram endurecer, fiquem ainda mais endurecidos (13; cf. 22).
c) O coração de Faraó endureceu (7.13). Há um problema concernente ao endurecimento do coração de Faraó. O versículo 13 é corretamente traduzido por: O coração de Faraó se endureceu, mas no versículo 3 Deus diz claramente: Endurecerei o coração de Faraó. Também está escrito que Faraó endurecería o próprio coração (8.15). E possível que nesta situação tenhamos três estágios. Primeiro, a pessoa endurece o coração conscientemente (8.15,32; 9.34). Faraó decidiu resistir e se opor à vontade
de Deus e, assim, tornou o próprio coração mais inflexível. Segundo, em conseqüência disso, o coração se endurece pela ação das leis psicológicas (7.14,22; 9.7,35). Terceiro, quando Deus viu que Faraó estava determinado a resistir, Ele mesmo endureceu o coração do monarca 17.3; 9.12;
10.1,20,27; 14.4,8). Tratava-se de julgamento divino sobre o indivíduo (9.11,12), o qual enquanto tivesse vida, coragem física e poder humano continuaria resistindo a Deus.36
Certamente não devemos dizer que Deus leva o homem a ser mau. Faraó era responsável por sua má escolha e por afastar seu coração de Deus. Porém, quando a pessoa fixa sua vontade contra Deus, então Deus a entrega aos desejos ignóbeis que existe em seu coração (Rm 1.24); “como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso” (Rm 1.28). Deus mostra misericórdia a quem se entrega a Ele e endurece a quem o resiste (Rm 9.18). Talvez o julgamento de Deus coloque alguns que se afastam da luz em certo lugar onde eles não podem mais se voltar para Ele (Hb 10.26-30). Deus concedeu vida e habilidade para a resistência de Faraó a fim de fazer maior demonstração de seu poder e glória.37 Deus só endurece o coração de quem primeiro endurece o próprio coração. Ele ocasiona este endurecimento mediante intervenção extraordinária ou pelas respostas comuns às experiências da vida.38
D. As Pragas do Egito, 7.14—11.10
1. As Aguas se Tomam em Sangue (7.14-25)
a) O anúncio do sinal a Moisés (7.14-19). Deus estava pronto a desafiar a resistência de Faraó. Para isso, deu ordens para Moisés ir à presença do rei quando este fosse às águas (15). Esta ida ao rio Nilo pela manhã era provavelmente para adorar.39 Põe-te em frente dele significa “para encontrá-lo” (VBB; cf. ARA). Enquanto resistia ao Senhor, Faraó ainda confiava em seus deuses. Esta primeira praga era um ataque direto a um objeto egípcio de adoração. Para este sinal, Moisés estava de posse da vara.
Moisés devia avisar o rei acerca do que Deus estava a ponto de fazer e por que o faria (16-18). Faraó via claramente que estas coisas foram feitas segundo a palavra dos servos de Deus. Moisés deveria lhe dizer que este
Deus dos hebreus o tinha enviado (16) e que este julgamento era para que o monarca soubesse que Jeová era Deus — eu sou o SENHOR (17).40
b) A execução do sinal diante de Faraó (7.20-25). Moisés passou a palavra de Deus para Arão, que feriu as águas que estavam no rio (20). A ordem incluía as águas que havia nas correntes, rios, tanques e ajuntamentos (19). Provavelmente as águas, transformadas em sangue, entraram nos lugares secundários em resultado da praga no rio Nilo, a principal fonte do sistema hidrográfico.41 A mudança na água foi tamanha que matou os peixes (21), tomando-a imprópria para consumo humano. Os egípcios foram forçados a cavar poços para terem água (24) de beber.
Mais uma vez os magos (22) conseguiram falsificar o milagre. O texto não diz onde acharam água para fazer seus encantamentos. Talvez tenham se servido da pequena provisão de água dos poços recentemente abertos. A fraude que implementaram foi suficiente para fazer com que o coração de Faraó ficasse mais endurecido. Ele recusou dar ouvidos a Moisés e Arão, como o SENHOR tinha dito. Deus predisse este endurecimento, porque sabia que Faraó endurecería o coração e também porque sabia que a primeira praga não o mudaria. Deus sabe até as coisas que Ele não determina. Por fazer Israel sofrer, Faraó e sua gente estavam sentindo o peso da mão de Deus. O rei egípcio sabia que era verdade, mas nem ainda
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nisto pos seu coraçao, ou seja, não se preocupou nem mesmo com isso (23, Smith-Goodspeed).
A praga continuou por sete dias (25), período que podería ter sido encurtado se Faraó tivesse se rendido. Mas ele provavelmente tinha água dos poços para uso próprio, por isso não se importou com a aflição do povo
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egípcio.
Os versículos 14 a 25 revelam “O Servo Fiel de Deus”. 1) Ele ouve as instruções de Deus, 15-19; 2) Ele faz precisamente o que Deus diz, 20; 3) Ele testemunha o grandioso poder de Deus, 21-25.
2. A Praga das Rãs (8.1-15)
a) As instruções de Moisés eArão (8.1-5). Deus manda Moisés novamente à presença de Faraó para exigir: Deixa ir o meu povo (1). Talvez a repetição fosse monótona, mas neste caso era necessária para manter a
questão clara. Deus pedia somente uma coisa de Faraó, e isto Moisés devia repetir até que se tornasse uma ordem nunca esquecida: Deixa ir o meu povo.
Faraó suportou a praga de sangue por sete dias. A continuação da recusa resultaria agora em rãs (2). A questão estava clara, pois Deus disse: Se recusares... eis que ferirei. Era aviso misericordioso para que o rei pudesse ter evitado a praga. Mas corações endurecidos desafiam os avisos de Deus.
As rãs surgiríam do rio (3) Nilo e de outros volumes de água (5). A palavra original em hebraico indica que as rãs vieram do lodo dos pântanos, dos quais as águas minguaram.43 Estas criaturas repugnantes, embora não perigosas, tomariam a vida miserável. A praga afetaria o quarto e a cama onde os egípcios eram especialmente limpos. Os fornos (buracos abertos no chão) e as amassadeiras (gamelas, tigelas) ficaram cheios de rãs, tornando quase impossível fazer assaduras. A praga afetaria o rei e seus servos (oficiais) bem como o povo (4) comum.
b) A reação de Faraó (8.6-15). Levando-se em conta que o rio Nilo era considerado sagrado pelos egípcios, para eles esta praga, como as outras, era uma competição entre deuses. Até as rãs eram objetos de adoração,44 e por isso não deveríam ser mortas. Podemos imaginar a angústia do egípcio piedoso quando, ao andar ou abrir a porta, esmagava essas criaturas.
Ainda desta vez os magos egípcios puderam falsificar o ato de Arão (7). O melhor que fizeram foi aumentar umas poucas rãs às multidões que Deus já trouxera (6). Parece que estes magos não conseguiram fazer com que as rãs sumissem.
Pela primeira vez, a obstinação de Faraó fraquejou; chamou Moisés e Arão para pedir ajuda. No caso das águas transformadas em sangue, ele se servia dos poços, ainda que seu povo sofresse, mas não havia alívio destas rãs. Não conseguia dormir ou comer, por isso pediu clemência. Mostrava-se convencido de que Deus enviara as rãs e que só Ele podería acabar com elas. Quer tivesse sido sincero ou não, prometeu deixar o povo (8) ir.
Moisés estava disposto a ouvir Faraó e lhe conceder o pedido. As palavras: Tu tenhas glórias sobre mim (9), são difíceis de traduzir do original
hebraico; devem ter sido uma expressão idiomática egípcia não usada em hebraico. O possível significado era: “Submeto-me à tua vontade”, ou: “Estou feliz por cumprir tua ordem”. Era provavelmente expressão de cortesia de um inferior para um superior.45 Moffatt e a Versão Bíblica de Berkeley sugerem a idéia: “Tu podes ter a honra de dizer quando” (cf.
ARA).
Em vez de pedir abvio imediato, o rei disse: Amanhã (10). Havia a esperança subjacente de que até lá as rãs acabassem por meios naturais. Mas Moisés era destemido. Seguiu à risca o pedido do rei para que Faraó soubesse que ninguém há como o SENHOR, nosso Deus, que tanto traz julgamento quanto mostra misericórdia. Nesta altura dos acontecimentos, Moisés estava muito mais confiante no propósito e no poder de Deus.
Quando saiu da presença de Faraó, Moisés clamou ao SENHOR (12) para que acabasse com as rãs. Embora soubesse que Deus o faria, precisava interceder. E do agrado de Deus que peçamos com fervor mesmo quando Ele já prometeu fazer. Deus respondeu a oração matando as rãs (13), em vez de fazer com que voltassem para o rio, como indicava a promessa (11). Dessa forma, o Senhor deixou com os egípcios uma lembrança do julgamento divino sobre eles (14).
E interessante notar que, quando Deus falou, Moisés e Arão obedeceram (5,6). Quando Faraó fez o pedido a Moisés, ele o atendeu (8,9). Quando Moisés clamou a Deus, o Senhor fez como Moisés pediu (12,13). Aúnica interrupção neste círculo foi a falta de sinceridade por parte de Faraó.
Vemos a pouca profundidade do arrependimento de Faraó no fato de ele ter endurecido o coração quando o julgamento foi retirado (15; cf. 7.13 e comentários ali). A palavra descanso significa literalmente “espaço aberto”. “Assim que ‘teve fôlego’ ele endureceu o coração novamente.”46 Como muitos, este homem se mostrava flexível ao ser afligido, mas não entregava sua vontade a Deus. Quando a dificuldade passava, ele era a mesma pessoa obstinada que antes, ou pior.
Vemos nos versículos 1 a 15 “O Julgamento e a Misericórdia de Deus”. 1) As provações vêm para que sejamos levados ao arrependimento, 1-6; 2) Durante as provações, o arrependimento pode ser temporário, 8,15; 3)
Deus mostra sua misericórdia ao pecador mais orgulhoso, 12,13; 4) O servo
de Deus deve ser útil às almas penitentes, 9-11.47
3. A Praga dos Piolhos (8.16-19)
Desta vez sem aviso ou oportunidade de rendição, Deus mandou que Moisés dissesse a Arão para ferir o pó, que se tornaria em piolhos (16, ou “mosquitos”, segundo Moffatt e Smith-Goodspeed). Estes insetos atingiram os homens e o gado (17). Atacavam a pele, o nariz, os ouvidos e os olhos, causando muita irritação e até morte.48 Com tantos piolhos — todo o pó da terra — não havia meio de encontrar alívio.
Pela primeira vez, os magos, com sua magia, não conseguiram imitar o feito (18). Primeiramente, porque, neste caso, não receberam aviso prévio sobre o que esperar. Depois, a situação chegou a um ponto em que era claramente obra de Deus. Deus permite que os ímpios cheguem longe, mas há um limite onde são detidos. A confissão: Isto é o dedo de Deus (19), não era necessariamente reconhecimento da superioridade de Jeová tanto quanto era reconhecimento do fim da magia humana. Desta feita, não havia meio de produzirem uma duplicação enganosa. Seus encantamentos acabaram.
A mentira e desobediência de Faraó (8,15) deixaram seu coração tão duro que esta confissão sequer o amedrontou; ele não os ouvia — nem a seus servos, nem a Moisés.
4. Os Enxames de Moscas (8.20-32)
a) O aviso e a praga (8.20-24). Uma vez mais Deus manda Moisés confrontar Faraó pela manhã cedo, quando o monarca está a caminho das águas, provavelmente para comparecer a uma cerimônia religiosa (20; cf. 7.15). O servo de Deus tinha de repetir a ordem: Deixa ir o meu povo, e avisar Faraó que se ele recusasse o pedido haveria uma praga de moscas (21). No hebraico não está claro que tipo de inseto era: se mosca, “mosquito” (Moffatt), besouro ou uma mistura de insetos.49 A Versão Bíblica de Berkeley diz que eram “moscas-da-madeira” (inseto também conhecido por moscardo, tavão, moscão). O que quer que sejam, eram grandes enxames e a terra foi corrompida (24), ou seja, foi destruída por eles.
Os egípcios também consideravam estes insetos sagrados, sendo errado matá-los. Poderiam entrar nas casas, arruinar a mobília decorativa e tornar a vida insuportável para as pessoas. Não havia poder humano que os vencesse.
Algo diferente aconteceu com esta praga. Com as outras pragas, os israelitas na terra de Gósen sofreram juntamente com os egípcios, mas nesta Deus separou o seu povo dos egípcios (22). Ele salvaguardou seu povo do julgamento. Este ato anuncia claramente que o Senhor destas pragas era o Deus dos hebreus. O povo de Deus, por causa da humanidade comum, pode sofrer alguns julgamentos enviados sobre os ímpios, mas até certo ponto, quando, então, é poupado do pior.
b) A reação e a contraproposta de Faraó (8.25-32). A reação de Faraó a esta praga foi imediata. Ele fez uma contraproposta: Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra (25). Mas Moisés tinha a resposta na ponta da língua. Não conviría aos israelitas sacrificarem no Egito, porque o sacrifício de animais sagrados aos egípcios lhes seria uma abominação (26), levando-os provavelmente a apedrejar os israelitas. Moisés manteve seu pedido de caminho de três dias ao deserto (27). Quando Deus ordena, não há lugar para barganhas com homens perversos.
Faraó reconheceu que Moisés tinha razão. Ele concordou em deixar Israel ir, mas somente a curta distância deserto adentro (28). Moisés acreditou no que Faraó disse (quem sabe entendendo as palavras não vades longe como referência aos três dias de viagem) e prometeu rogar ao SENHOR (29). Mas advertiu: Somente que Faraó não mais me engane. Deus, conforme a palavra de Moisés, retirou as moscas e não ficou uma só (31). A completa suspensão desta praga fez com que o rei ficasse mais inflexível e não deixou ir o povo (32). Em face de tão grande apresentação da verdade, o próprio Faraó endureceu ainda mais o coração (cf. comentários em 7.13). Sua vontade estava cada vez mais renitente contra Deus e seu povo.
Os versículos 20 a 32 mostram “O Coração Rebelde”. 1) Sofre no julgamento, 20-24; 2) Sugere uma contraproposta, 25,26; 3) Faz fraudulentamente uma concessão, 28; 4) Recebe sinais da misericórdia de Deus, 29-31; 5) Recusa petulantemente o plano de Deus, 32.
Deus pacientemente continuou exigindo de Faraó (1) a liberação dos israelitas — o povo do concerto. Avisou que se o rei continuasse recusando deixá-los ir (2), viría outra praga. Deus podería ter destruído Faraó em um instante e tirado seu povo do Egito, mas preferiu recorrer à vontade deste tirano perverso. O gado do Egito tornou-se o alvo desta quinta praga (3). Pela primeira vez a Bíblia faz menção a cavalos. Desconhece-se a natureza desta pestilência gravíssima, mas era fatal para o gado (6).
Os aspectos milagrosos desta praga são: a ocorrência no gado, que está no campo 13), afastado do contato com animais infetados; a isenção do gado dos israelitas (4); e o tempo exato do acontecimento (5).
Não devemos entender em sentido absoluto a declaração todo o gado dos egípcios morreu (6). Em hebraico, o termo todo designa grande número em vez de completude, totalidade.50 Ainda havia gado que sofreu com a sétima praga (20,21). Esta doença afetou o gado que estava no campo (3). Além disso, o gado que morreu era do Egito, dando destaque ao fato de que o gado de Israel não morreu (4), e este pode ser o significado do versículo 6.
O coração de Faraó se endureceu de novo quando descobriu que o gado de Israel não foi atingido (7; cf. 7.13 e comentários ali). Ele permitiu que o ciúme e o ódio gerassem mais obstinação contra Deus. E possível que pensou em requisitar o gado de Israel para substituir o que perdera.
6. A Sarna e as Úlceras (9.8-12)
Na sexta praga, como na terceira, não houve repetição da exigência a Faraó e nenhum aviso foi dado. Moisés estava perante o rei, pegou cinzas do forno (o forno de olaria onde se fabricavam tijolos) e as lançou no ar.
As cinzas se tornaram “em tumores que se arrebentavam em úlceras nos homens e nos animais” (11, ARA). O milagre estava nas cinzas que se tornaram em pó miúdo (9) e se espalharam por todo o Egito, produzindo sarna ou furúnculos. Presumimos que Israel também escapou desta praga.
O texto menciona os magos (11), mas desta vez eles estão aflitos com a sarna, incapazes de competir com o poder de Deus ou de permanecer na presença de Moisés. Nada mais ficamos sabendo sobre esses magos por este registro bíblico.
Aqui, pela primeira vez, é mencionado que o SENHOR endureceu o coração de Faraó (12), cujo ato foi previsto em 7.3. O julgamento de Deus começara sobre este homem perverso, tornando seu coração ainda mais duro. Quando os homens persistem na desobediência, chega o momento em que Deus envia “a operação do erro, para que creiam a mentira” (2 Ts 2.11). Sobre o endurecimento do coração de Faraó ver comentários em 7.13.
7. O Granizo e o Fogo (9.13-35)
a) O pedido a Faraó (9.13-17). Esta praga foi prefaciada pela exigência e aviso freqüentemente repetidos (13,14). Entrementes, Faraó esperava seus visitantes indesejáveis pela manhã cedo. Ele não conseguia se livrar destes homens que eram agouros do mal.
Embora as pragas não seguissem umas às outras com aumento de intensidade, havia um aumento global de perigo de vida. Moisés deveria dizer a Faraó: Esta vez enviarei todas as minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos, e sobre o teu povo (14). A competição se aproximaria mais do rei ímpio e o impacto seria de maior intensidade. O propósito de Deus era claro: Para que saibas que não há outro como eu em toda a terra (14).
Esta praga continha várias características inéditas: “1) E prenunciada com uma mensagem invulgarmente longa e excessivamente medonha (w. 1319). [...] 2) E a primeira praga que ataca a vida humana; e o faz em grande escala: todos os homens e animais expostos a esta calamidade perecem (v.
19) . 3) E a mais destrutiva às propriedades que todas as outras anteriores. [...] (v. 31). 4) E acompanhada com demonstrações terríveis. [...] (v. 23). 5) É feita para testar o grau de fé ao qual os egípcios atingiram. [...] (v.
20) ”.51 Granizo e trovão, ou até chuva, eram raros no Egito, e tais fenômenos climáticos que acompanhavam estas tempestades eram desconhecidos pelos egípcios.
As palavras: Agora tenho estendido a mão (15), são mais bem traduzidas por: “Já eu podería ter estendido a mão” (ARA). O original hebraico transmite a possibilidade do passado. Deus estava dizendo que podería ter dado um fim rápido a Faraó e seu povo. Só não o fizera porque queria mostrar o seu poder e dar glória ao seu nome (16). Deus alongara
a vida de Faraó e permitira que ele continuasse resistindo para que Deus revelasse os grandiosos poderes de que dispunha a favor do povo que clamara a Ele. Por estes atos poderosos seu nome seria anunciado em toda a terra. E provável que não haja acontecimento na história que seja mais amplamente conhecido que a libertação de Israel do Egito. O versículo 17 é um desafio na forma de pergunta a Faraó: Tu ainda te levantas contra o meu povo, para não os deixar ir? Um rei que se exaltou contra o poder divino tornou-se meio de maior glória para Deus.
b) O aviso e a promessa (9.18-21). O aviso (18) dado aos egípcios, que até agora desconheciam o confronto que havia entre Faraó e Moisés, foi a oportunidade de se proteger e ao seu gado. Eles tinham de levar para casa os homens e os animais a fim de se protegerem (19). Alguns egípcios temeram a palavra do SENHOR (20) e tomaram medidas urgentes para se resguardar. Outros, porém, não deram atenção à palavra do SENHOR (21) e nada fizeram. Estes fatos nos fazem lembrar dos tempos do Novo Testamento. Quando Jesus falava, alguns criam em sua palavra, ao passo que outros não.
c) A intensidade da praga (9.22-26). Os fenômenos climáticos de trovões, saraiva e fogo devem ter sido terríveis (23-25). As pedras eram tão grandes que mataram homens e animais e quebraram as árvores (25). Nunca houve algo assim na terra do Egito (24). As colheitas de cevada e linho estavam suficientemente germinadas para serem destruídas, enquanto que o trigo e o centeio (holius sorghum, não o centeio no sentido comum)52 ainda estavam por germinar, por isso permaneceram incólumes (31,32). A mão protetora de Deus estava sobre os israelitas, que escaparam da tempestade na terra de Gósen (26).
d) A reação de Faraó (9.27-35). Desta vez, Faraó ficou tremendamente amedrontado. Confessou: Pequei; o SENHOR é justo (27). Pediu clemência e prometeu: Eu vos deixarei ir (28). Moisés atendeu o pedido de Faraó para que este soubesse que a terra é do SENHOR (29). Mas a esta altura Moisés sabia que o rei e seu povo ainda não temeríam diante do SENHOR Deus (30). E fácil para o indivíduo cujo coração é duro se endurecer ainda mais quando a adversidade passa (34; cf. 7.13 e comentários ali). Muitos confessam os pecados, fazem promessas e parecem arrependidos sob julgamento, mas acabam revelando o verdadeiro eu quando a dificuldade diminui. A profundidade da mudança é conhecida
quando as circunstâncias externas mudam. No versículo 31: O linho, na cana significa “O linho estava em botão” (Moffatt).
Os versículos 27 a 30 retratam “O Falso Arrependimento”. 1) Possui a característica de confissão, 27; 2) Reconhece a justiça de Deus, 27; 3) Admite a incapacidade pessoal e busca a ajuda de Deus, 28; 4) Promete melhorias, 28; 5) Carece do temor de Deus, 30.63
8. A Praga dos Gafanhotos (10.1-20)
a) Razões para o endurecimento do coração de Faraó (10.1,2). Deus deu a Moisés duas razões para ele endurecer o coração de Faraó e de seus servos. A primeira, é que Ele queria fazer estes seus sinais no meio deles (1). Tivesse Faraó se rendido antes, as últimas e maiores maravilhas não teriam sido feitas. Em semelhante situação, os egípcios não teriam ficado convencidos das ações divinas. Deus prolongou a agonia até que todos vissem sua glória.
A segunda razão é que Deus queria que as gerações futuras do seu povo, Israel, soubessem e recontassem esta libertação maravilhosa vezes sem conta (2). O aumento da intensidade dos sinais e sua multiplicação causaram profunda impressão nos israelitas e os convenceu incontestavelmente de que Deus era o SENHOR. As palavras: As coisas que fiz no Egito, são mais corretas por: “Como zombei dos egípcios” (ARA). Havia ironia divina no fato de a obstinação de Faraó ter levado a maiores manifestações da glória e do poder de Deus.54 Estas garantias repetidas a Moisés o prepararam para a teimosia de Faraó, visto que lhe foi dito muitas vezes que Deus tinha uma mão no estado emocional do monarca (cf. 7.4,5 e comentários ali).
b) O anúncio a Faraó (10.3-6). Moisés foi a Faraó e lhe deu a nova mensagem de forma clara e às pressas. O prolongamento destas aflições era por causa do orgulho de Faraó: Até quando recusas humilhar-te diante de mim? (3). Desta feita, Deus traria gafanhotos (4) para a terra. Eles cobriríam a face da terra (5) e comeríam tudo que restou das outras pragas. Estes gafanhotos entrariam nas casas e constituiríam tremenda ameaça jamais vista no Egito (6).K Depois deste anúncio, Moisés e Arão saíram apressados da presença do rei.
c) A tentativa de acordo (10.7-11). Os servos de Faraó (7), os funcionários da corte mais próximos ao rei, começaram a argumentar. Primeiro, os magos ficaram impressionados com o poder de Deus (8.19). Segundo, alguns egípcios creram o suficiente para retirar o gado e os escravos do campo quando a praga foi anunciada (9.20). Agora altos funcionários egípcios criam que aconteceria o que Moisés dizia. Suplicaram a Faraó que não permitisse mais que este Moisés lhes fosse por laço (7; ou “cilada”, ARA). A única salvação para o Egito era ceder e deixar o povo israelita ir. A palavra homens aqui (7) se refere a todo o povo. Os servos sabiam, melhor que Faraó, que o Egito estava quase arruinado.